É agora ou nunca: os playoffs da Copa Sul-Americana 2025 colocam 16 clubes em uma trilha curta e tensa para chegar às oitavas de final. Entram em campo, de um lado, os segundos colocados dos grupos da Sul-Americana; do outro, os terceiros colocados da fase de grupos da Libertadores. São oito duelos de ida e volta, com as partidas decisivas marcadas para 22, 23 e 24 de julho.
O regulamento é direto. Não há gol qualificado fora de casa. Se o placar agregado terminar empatado após o segundo jogo, a vaga é definida nos pênaltis, sem prorrogação. Os times que vieram da Libertadores costumam ter o mando da volta, o que dá um empurrão extra no jogo que vale tudo.
O calendário é apertado e exige gestão de elenco. As partidas de ida ocorreram entre 15 e 17 de julho. A volta fecha a chave de 22 a 24 de julho. Quem passar encontra os líderes de cada grupo na etapa seguinte, com as oitavas de final marcadas para 12 a 14 e 19 a 21 de agosto. A caminhada segue até a decisão única, em 22 de novembro, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.
O peso financeiro também conta. A campeã vai levar US$ 6,5 milhões. A vice fica com US$ 2 milhões, e cada semifinalista garante US$ 800 mil. Em tempos de calendário espremido, essa grana muda orçamento, renova elenco e sustenta a temporada.
O cardápio da semana traz equilíbrio e estilos diferentes. Tem clube acostumado a mata-mata continental, tem estreante mordendo e tem clássico de ideias: posse e pressão contra transição e bola aérea. Abaixo, os horários de Brasília (com o horário da Costa Leste dos EUA entre parênteses, base da tabela original):
Terça abre com Cerro Largo x Central Córdoba. É duelo de clubes que aproveitam bem a bola parada e não têm vergonha de jogo físico. Em mata-mata curto, escanteio vira meia chance de gol. O detalhe: quem controlar o meio em transição vai mandar no ritmo.
No mesmo dia, América de Cali x Bahia tem clima de confronto grande. Os colombianos são fortes nas alas e costumam acelerar em casa; o Bahia tem volume de jogo e boa circulação por dentro, algo que faz diferença para furar linhas em jogos amarrados. Atenção às substituições do segundo tempo: é onde esse duelo costuma virar.
Vasco da Gama x Independiente del Valle promete tensão até o último minuto. O time equatoriano gosta de pressionar alto e castiga erros na saída de bola; o Vasco, em casa, tende a empurrar linhas e explorar a bola longa para quebrar a pressão. Sem altitude no jogo da volta, o fator físico equilibra. O detalhe tático é o encaixe entre o meia que flutua entrelinhas do IDV e o primeiro volante vascaíno.
Quarta começa com Palestino x Bolívar. A volta em solo chileno tira o componente de La Paz e seus 3.600 metros, o que muda a gestão de intensidade do jogo. O Bolívar tem costume de impor ritmo e atacar com muitos homens; o Palestino reage com linhas bem compactas e transições rápidas. Quem pontuar com qualidade nas primeiras chegadas tende a ditar o roteiro.
Grêmio x Alianza Lima reúne tradição e necessidade de eficiência. O time gaúcho, empurrado por estádio cheio, costuma acelerar pelos lados e buscar área com cruzamentos. O Alianza, mais reativo, é perigoso quando rouba alto e aciona o centroavante no pivô. Bola aérea defensiva será teste de nervos para os peruanos.
Once Caldas x San Antonio Bulo Bulo é jogo interessante taticamente. Manizales tem altitude moderada e clima que deixa a bola viva; o Once Caldas explora bem chutes de média distância e inversões rápidas. O estreante boliviano vem em ascensão no cenário local e usa linhas curtas para tirar espaço. Quem errar menos na saída curta leva vantagem.
Quinta traz Guaraní x Universidad de Chile, clássico de camisa pesada. Paraguaios são duros no mano a mano e crescem em contra-ataques que começam no desarme. A U de Chile gosta de posse, mas sofre quando é obrigada a cruzar sem paciência. Cartões podem pesar: é jogo de muita fricção no meio.
Fechando a rodada, Atlético Mineiro x Bucaramanga tem cara de confronto aberto. O Galo normalmente empilha finalizações em casa e empurra o rival para a área. O Bucaramanga, sensação recente do futebol colombiano, defende com bloco médio e sai com passes curtos até acionar velocidade pelos lados. A chave está em quem vencer a segunda bola na intermediária.
Para quem pensa adiante, os cruzamentos das oitavas colocam os líderes dos grupos no caminho — e eles levam a vantagem de decidir em casa. Isso muda a abordagem dos playoffs: vale muito matar a série sem sustos para chegar inteiro em agosto. Com viagens longas, gramados e climas diferentes, quem souber alternar intensidade e controlar o relógio terá meio caminho andado.
No fim, o pacote é simples: oito vagas, nenhum espaço para erro, decisões sob holofotes e muita camisa pesada em campo. A Sul-Americana costuma premiar os times que gastam menos tempo com boniteza e mais com execução. A semana vai separar quem está pronto para uma rota de três meses até Santa Cruz de la Sierra de quem ainda precisa de obra na casa.