A Seleção Brasileira Sub-20 foi eliminada da Copa do Mundo Sub-20 de 2025Chile na primeira fase — pela primeira vez na história — e o técnico Ramon Menezes, de 53 anos, foi demitido pelo Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no dia seguinte, 5 de outubro de 2025. A derrota por 1 a 0 para a Espanha, no Estádio Nacional de Santiago, foi o golpe final: apenas um ponto em três jogos, com empate contra o México e derrotas para Marrocos e Espanha. Fim da linha. Sem quartas. Sem sonho. Sem desculpa aceitável para os torcedores.
Um fracasso sem precedentes
Nunca, em 42 edições da competição, a Seleção Sub-20 havia terminado em último lugar no grupo. Nenhuma das gerações de Zico, Romário, Ronaldo, Ronaldinho ou Neymar chegou a viver isso. A equipe de Menezes não apenas foi eliminada — foi humilhada. O único gol da partida foi marcado aos dois minutos do segundo tempo por Iker Bravo, atacante do Udinese, em uma jogada de contra-ataque que expôs a fragilidade defensiva brasileira. Antes disso, o Brasil teve chances claras: João Cruz, do Athletico-PR, bateu na trave aos sete minutos do primeiro tempo, após cruzamento de Wesley, ex-Corinthians e agora no Al Nassr. Mas o que parecia um time com talento se transformou em um grupo desarticulado, sem ritmo, sem identidade.Preparação insuficiente e clubes na contra-mão
Menezes não escondeu a frustração. "Pouco tempo para se trabalhar, para treinar, senão nem esses atletas teriam sido liberados. Nos apresentamos dia 22 para jogar dia 28. Tem atleta que se fizermos o levantamento da última vez que jogaram 90 minutos, vai ver uma minutagem muito baixa. Corremos risco", disse ele após o jogo. E ele tinha razão. A FIFA realizou a competição fora das janelas oficiais de liberação de jogadores, e os clubes não tiveram obrigação de soltar seus atletas. Resultado? A Seleção Brasileira Sub-20 foi montada com jogadores que não eram titulares em seus times. Pedrinho, do Zenit, jogou 14 partidas na temporada russa — e foi usado como substituto. Deivid Washington, emprestado pelo Chelsea ao Santos, jogou 20 jogos no Brasileirão — e entrou no banco. Rayan, promessa do Vasco, nem foi liberado. O time que venceu o Sul-Americano em fevereiro, com uma goleada de 6 a 0 sofrida contra a Argentina, já era um time fragilizado. A Copa do Mundo só confirmou o que os especialistas já temiam: sem apoio dos clubes, sem tempo de treino, não há como competir.Um treinador entre duas eras
Ramon Menezes assumiu o cargo em março de 2022. Antes disso, foi técnico interino da Seleção Principal por três jogos, após a saída de Tite e antes da chegada de Fernando Diniz. Perdeu para Marrocos e Senegal, venceu a Guiné. Foi um interino de emergência, mas se manteve na Sub-20 por quase quatro anos — mesmo após a eliminação na pré-olímpica de 2024, que impediu o Brasil de ir a Paris. A única justificativa para sua permanência foi o título no Pan-Americano de 2025 no Chile, um torneio que muitos consideram secundário. "O Pan-Americano do Chile, que não é, ó, meu amigo, torneio de futebol de Pan-Americano é igual apêndice. Até hoje os médicos não descobriram para que que serve o apêndice", comentou um comentarista da Itatiaia Esporte. A CBF, porém, optou por manter o treinador — até que o fracasso na Copa do Mundo tornou a decisão inevitável.
A resposta da CBF: agradecimento com distância
A CBF divulgou um comunicado formal na manhã de 5 de outubro: "A Confederação Brasileira de Futebol comunica que Ramon Menezes não é mais o técnico da Seleção Brasileira masculina Sub-20. A decisão foi tomada após avaliação sobre o ciclo de trabalho desenvolvido até aqui. A CBF agradece a dedicação e o profissionalismo demonstrados por Ramon ao longo de sua trajetória à frente desta e de outras equipes que ele comandou no período na entidade, inclusive a Seleção masculina principal. Desejamos sucesso a Ramon em seus próximos desafios profissionais e reforçamos o reconhecimento pelo empenho e pela entrega demonstrados em todas as competições disputadas." A linguagem foi educada, mas fria. Não houve elogios à performance, nem reconhecimento de esforço — apenas agradecimento por "dedicação". É o tipo de nota que se escreve quando o desgaste já é público e a demissão, inevitável.O que vem a seguir? O futuro da base brasileira
Agora, a CBF precisa escolher um novo técnico — e rápido. A próxima competição é o Sul-Americano Sub-20 de 2027, com vaga direta para a Copa do Mundo de 2027. Mas o problema não é só técnico. É estrutural. Sem um acordo com os clubes, sem uma política clara de liberação de jogadores, sem um calendário alinhado, a base brasileira continuará sendo uma ilha isolada. Os talentos estão lá: João Cruz, Pedro Ganchas, o próprio Rayan. Mas sem contexto, sem continuidade, sem apoio, eles viram apenas números em uma planilha. A eliminação em 2025 não foi um acidente. Foi o resultado de anos de negligência.
Os jogadores que não tiveram chance
Menezes tentou justificar sua escalação: "Fizemos um 3-2-5 no começo do jogo, depois terminamos no 2-3-5. Criamos várias oportunidades..." Mas a verdade é que, mesmo com a mudança tática, a Seleção não teve um jogador que assumisse a liderança. Gilberto, que chegou a ser citado como opção, não entrou. Por quê? "Não foi a melhor decisão no momento", disse ele. Mas o que era o melhor momento? Quando o time estava perdendo por 1 a 0? Quando já era tarde? O futebol moderno exige decisões rápidas — e Menezes, apesar da experiência, parecia preso a um modelo ultrapassado.Frequently Asked Questions
Por que a eliminação da Sub-20 foi tão histórica?
Nunca antes, desde a criação da Copa do Mundo Sub-20 em 1977, a Seleção Brasileira havia terminado em último lugar no grupo e sido eliminada na primeira fase. Antes disso, até as equipes mais fracas da década de 1980 avançavam. A derrota em 2025 rompeu uma tradição de 48 anos de presença nas fases finais — e colocou em xeque a política de desenvolvimento de jovens talentos no Brasil.
Como a falta de liberação dos clubes afetou o time?
A FIFA realizou o torneio fora das janelas internacionais, e os clubes não tiveram obrigação de liberar jogadores. Resultado: apenas 3 dos 23 convocados eram titulares em seus times. Pedrinho (Zenit) e Deivid Washington (Santos) foram usados como substitutos. Rayan, promessa do Vasco, nem foi liberado. Isso fez com que o time fosse montado com jogadores sem ritmo de jogo, o que explica a falta de conexão e eficiência ofensiva.
Ramon Menezes merecia ser demitido?
Sim. Embora a falta de apoio dos clubes tenha sido um fator crítico, Menezes foi o responsável por montar o time, definir táticas e motivar os jogadores. Ele comandou a equipe por quase quatro anos — tempo suficiente para criar um projeto. A eliminação na fase de grupos, após um Sul-Americano já problemático e a falha nos Jogos Olímpicos, foi o ponto de virada. A CBF não pode mais tolerar ciclos sem resultados, mesmo em condições adversas.
O que muda agora na CBF?
A CBF precisa negociar com os clubes para garantir liberação de jogadores em competições da FIFA, mesmo fora das janelas. Também precisa criar um centro de excelência para a base, com treinadores fixos, calendários alinhados e monitoramento contínuo. Sem isso, o Brasil continuará perdendo talentos para o exterior — e a Seleção Sub-20 continuará sendo um time de emergência, não de futuro.
Quem pode ser o próximo técnico da Sub-20?
Nomes como Enderson Moreira, que tem experiência na base do Palmeiras, e Fábio Carille, que já comandou a Sub-20 do Corinthians, são cotados. Também se fala em Marcelo Chamusca, com passagem pela Seleção Sub-23. O ideal é alguém com perfil de gestor, capaz de dialogar com os clubes e construir um projeto de longo prazo — não apenas um técnico de emergência.
Essa derrota afeta a Seleção principal?
Indiretamente, sim. A base é o futuro. Se os jovens não são bem preparados, os jogadores que chegam à Seleção Principal serão menos competitivos. A falta de consistência na base explica por que o Brasil ainda não tem um meio-campo de qualidade desde Neymar. A derrota em Santiago não é só da Sub-20 — é de todo o sistema de desenvolvimento do futebol brasileiro.
Marcelo Serrano
novembro 28, 2025 AT 07:01Essa derrota dói, mas não é só culpa do Menezes. O cara teve 3 meses pra montar um time com jogadores que nem treinavam juntos. Se o clube não libera, o que ele faz? Reza? O sistema tá quebrado, e ele só tá no meio disso.
Steven Watanabe
novembro 29, 2025 AT 06:42Demissão certa. Quatro anos e nada de projeto. Só jogou com o que sobrou. Não adianta ter talento se não tem estrutura.
Rodrigo Lor
novembro 30, 2025 AT 13:12Essa CBF é uma piada. Menezes era o bode expiatório perfeito. Enquanto isso, os clubes faturam milhões e deixam os garotos no lixo. E aí vem o discurso de 'dedicação' e 'profissionalismo'... Cadê o plano de base? Cadê o diálogo com os clubes? Tudo é discurso vazio.
Adilson Brolezi
dezembro 2, 2025 AT 00:14É triste ver isso. Mas acho que o mais importante agora é não virar um circo de acusações. O que a gente precisa é de um novo técnico que entenda que o futebol de base não é só treino - é relação, continuidade, respeito. E isso começa com os clubes. Não adianta querer uma Seleção forte se os jogadores só jogam 10 minutos por mês.
Tainara Souza
dezembro 2, 2025 AT 10:28Tem muita gente falando que o Menezes era ruim, mas e os clubes? E a CBF? E o calendário? A gente sempre põe a culpa no técnico, mas quem decide se o Rayan vai ou não? Quem define que a Copa vai ser em julho, quando os jogadores estão em pré-temporada? Isso é sistema. Não é um homem só.
Nazareno sobradinho
dezembro 3, 2025 AT 07:49Se vocês acham que foi só falta de liberação, estão enganados. Tem uma rede oculta de interesses. A CBF tem acordos com empresas que querem que o time perca, pra justificar a entrada de um técnico estrangeiro. É o mesmo jogo que aconteceu com a seleção principal em 2018. O Menezes foi sacrificado pra abrir espaço pra um 'gringo salvador'. E o pior? O povo cai nessa. Ainda acreditam que 'técnico novo = solução'. Não é. É só troca de nome.
ROGERIO ROCHA
dezembro 4, 2025 AT 19:36É necessário reconhecer que a eliminação na primeira fase representa um fracasso estrutural, não apenas técnico. A ausência de um programa de desenvolvimento contínuo, aliada à desarticulação entre a entidade máxima e os clubes profissionais, compromete irreversivelmente a formação de atletas de alto nível. A demissão de Ramon Menezes, embora simbólica, não resolve a crise sistêmica que afeta o futebol brasileiro desde a década de 1990.
Samuel Oka
dezembro 6, 2025 AT 19:13Claro que o Menezes é um técnico medíocre. Ele nem sabia que o João Cruz tinha batido na trave. O cara vive no passado. Enquanto a Europa já usa IA para análise de desempenho, ele tá com um caderno de anotações de 1998. E ainda fala em '3-2-5'? Sério? Isso não é tática, é arqueologia.
Reinaldo Ramos
dezembro 8, 2025 AT 07:30Essa derrota é uma vergonha nacional. O Brasil não pode perder para Espanha na Sub-20. Isso é traição. O Menezes deveria ser preso. E a CBF? A CBF é uma quadrilha. O futebol brasileiro tá morto. Vão enterrar com ele.
João Jow
dezembro 9, 2025 AT 11:50Eu já avisei desde o primeiro jogo: se o Rayan não foi liberado, era pra ter sido feito um protesto nacional. A CBF deveria ter boicotado a Copa. Em vez disso, mandaram um time de reserva e ainda chamam de 'Seleção Brasileira'. Isso não é futebol. É uma farsa.
Washington Cabral
dezembro 10, 2025 AT 11:33Eu acho que a gente precisa parar de culpar o técnico e começar a olhar pro sistema. O Brasil tem mais talento por metro quadrado que qualquer país do mundo. Mas não tem política. Não tem plano. Não tem continuidade. O que a gente precisa é de um conselho técnico com representantes dos clubes, da CBF e dos próprios jogadores. Só assim vamos sair desse ciclo vicioso.
João Victor Melo
dezembro 11, 2025 AT 07:26Se o time tivesse jogado com o Rayan, talvez a história fosse diferente. Mas o que me dói mais é ver que os garotos que entraram - como o João Cruz - são talentos reais. Eles mereciam um time que acreditasse neles. Não um time feito de empréstimos e desculpas. O que falta não é técnica. É coragem. Coragem de dizer: 'esse é o nosso time, e vamos jogar com ele, mesmo que os clubes não queiram'.
Mateus Costa
dezembro 12, 2025 AT 23:02Essa derrota é mais profunda do que parece. O Brasil perdeu não só um jogo, mas a confiança de uma geração. Os jovens que cresceram vendo Neymar, Coutinho, Vinícius - agora veem que o sistema não valoriza o talento local. Eles vão procurar outros caminhos. O futebol não é mais um sonho. É um emprego precário. E o pior: os clubes sabem disso. Eles não querem formar jogadores. Querem vender rápido. O Menezes foi só o símbolo. O inimigo é o mercado. E ele não tem nome. Só tem lucro.
Equipe Rede de Jovens Equipe Adorador
dezembro 13, 2025 AT 09:08Essa derrota... foi dolorosa... mas... não foi inesperada... a CBF... sempre... negligenciou... a base... e... agora... o preço... está... sendo... pago... por... todos... nós...